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Fraturas na Região do Joelho

 

Fratura do Planalto tibial

 

O planalto tibial é a região mais proximal do osso da tíbia. É a região articular da tíbia proximal. Essa região é coberta por cartilagem, e fraturas nesse local podem apresentar desvio dessa superfície articular e cartilagem, que, se não tratadas adequadamente, podem levar a quadros de artrose precoce do joelho. Essa região possui trabecular ósseo (diferente de regiões com característica de osso cortical, de alta resistência) que permite padrão de fratura de afundamento. Esse padrão de fratura demanda cuidados e técnicas peculiares para garantir resultado satisfatório.

A fratura do planalto tibial ocorre tanto em pacientes jovens, dos 20 aos 40 anos (onde é mais frequente) como em pacientes mais velhos (a partir dos 50 anos). Em pacientes mais jovens está associado a traumas de alta energia, acidentes motociclísticos ou esportes radicais. Em paciente idosos pode ocorrer associado a traumas de menor energia, como queda ao solo.

O sintoma apresentado é dor local e incapacidade para andar com o membro afetado. O paciente deve ser imediatamente levado a um pronto socorro para avaliação ortopédica.

O diagnóstico se baseia em radiografias. O exame de tomografia computadorizada traz grande auxílio no diagnóstico e no planejamento terapêutico de fraturas articulares, e é usualmente solicitado nesse contexto.

A depender da gravidade da fratura (desvio dos fragmentos e número de colunas acometidas) pode ser necessário tratamento cirúrgico de urgência para fixação externa. Esse tratamento é provisório e visa controle das partes moles; do contrário haveria formação de bolhas e edema progressivo. Após controle das partes moles (normalmente após 7 dias do fixador externo) segue-se para o tratamento definitivo, descrito abaixo.

O tratamento definitivo pode ser realizado de forma primária, para os casos sem comprometimento das partes moles, e, de forma estadiada, para casos com lesão das partes moles. Baseia-se na redução anatômica das superfícies articulares e no preenchimento dos defeitos ósseos (“afundamentos” metafisários) com enxerto ósseo.

A reabilitação de fraturas articulares é um desafio para o paciente e para o fisioterapeuta. Há uma tendência natural do paciente preferir deixar o joelho parado para evitar dor, mas nessa situação haveria uma evolução para artrofibrose (rigidez do joelho). Sendo assim o seguimento com fisioterapeuta com know-how em reabilitação de joelho é fundamental para garantir o resultado final do procedimento cirúrgico.

 

Fratura de Patela

 

A fratura de patela ocorre tanto em adultos jovens (20-40 anos) como em idosos (>60 anos).

Ocorre após trauma direto sobre a patela. O sintoma costuma ser dor local, presença de deformidade visível ao nível do joelho, dificuldade para esticar o joelho (deficit de extensão do mecanismo extensor).

O paciente deve ser encaminhado para um pronto socorro para avaliação ortopédica. O diagnóstico se baseia em radiografias.

O tratamento varia de conservador, para casos sem desvio e com mecanismo extensor competente.

O tratamento cirúrgico está indicado para fraturas expostas, fraturas com desvio e fraturas com deficit de extensão ativa do joelho.

 

Fratura-Avulsão da Eminências Intercondilares da Tíbia

 

A fratura avulsão das eminências intercondilares da tíbia ocorre em pacientes esqueleticamente imaturos (por volta dos 9 – 13 anos de idade). O mecanismo de trauma envolvido nessa fratura é o mesmo responsável pela rotura do ligamento cruzado anterior no adulto: rotação do joelho com o pé fixo ao solo.

  Os sintomas após a fratura são dor local, inchaço do joelho, dificuldade para esticar completamente o joelho, dificuldade para andar.

O paciente deve passar por avaliação ortopédica no pronto socorro.

O diagnóstico se baseia em radiografias, principalmente uma incidência chamada de Tunnel View.

O tratamento varia conforme a gravidade da fratura. Fraturas sem desvio podem ser tratadas conservadoramente, com gesso em extensão do joelho.

Fraturas com desvio exigem tratamento cirúrgico para redução anatômica das eminências e fixação. Esse tratamento cirúrgico pode ser feito através de videoartroscopia (cirurgia por vídeo, com pequenas incisões nas laterais do joelho).