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Ligamento Cruzado Anterior

 

O ligamento cruzado anterior consiste numa banda fibrosa que estabiliza o fêmur (osso da coxa) na tíbia (osso da perna) principalmente em movimentos de rotação do joelho. Esse ligamento pode se romper em movimentos de rotação do joelho, principalmente em movimentos que demandam mudança brusca de direção.

O mecanismo que leva a rotura do LCA é usualmente um trauma torcional. O trauma esportivo é normalmente o responsável pela rotura do LCA, entre os quais se destacam, o futebol, o basquete, o vôlei, o esqui.

O sintoma de lesão do LCA se divide em duas fases. Na primeira fase (aguda) predominam o derrame articular (joelho inchado), a dor (pelas contusões ósseas ou por lesão da cartilagem e dos meniscos), dificuldade para colocar carga sobre o membro, falseio. Na segunda fase, passada a reação inflamatória aguda, passa a ser predominante a sensação de falseio/instabilidade, que são o principal sintoma da lesão do LCA.

Vale ressaltar que no momento do trauma deve-se procurar atendimento médico para excluir a possibilidade de fraturas.

O diagnóstico da lesão do LCA é dado através do exame físico (através de manobras específicas) e confirmado com a ressonância magnética.

O tratamento da lesão do ligamento cruzado anterior demanda cirurgia na grande maioria das vezes. Algumas situações específicas podem ser tratadas sem cirurgia.

A cirurgia se baseia na substituição do ligamento roto por um tecido que formará um novo ligamento (denominado enxerto). Os principais enxertos utilizados são tendões que sabidamente podem ser removidos sem causar sequela ou dano:

1.tendão patelar, correspondendo a porção central do ligamento patelar

2.tendões isquiotibiais (semitendíneo e grácil) – tendões localizados na porção posterior da coxa

Esse tendões são usualmente retirados do paciente no mesmo lado a ser operado.

No Brasil raramente utilizamos tendões de doadores (como no caso de fígado, rim e coração) por questões mais administrativas do que médicas.

Nós geralmente preferimos utilizar enxertos dos isquiotibiais, porém a decisão é realizada individualmente para cada paciente. Como benefícios a cirurgia com o uso de tendões isquiotibiais demanda cicatrizes menores e causa menos dor no pós operatório.

 

Sobre a Cirurgia

 

A cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior é realizada com auxílio de câmera de vídeo (denominada artroscopia) sendo realizada por pequenas incisões.

Na cirurgia, uma incisão é realizada para retirada dos enxertos e dois pequenos furos (pequenas incisões) para utilização das câmeras e dos equipamentos de vídeo. Uma outra pequena incisão pode ser necessária para fixação do novo ligamento junto ao fêmur (osso da coxa).

Veja na sessão “Aos Pacientes” os cuidados necessários com as cicatrizes.

Pela localização da incisão na perna é possível que ocorra discreta redução da sensibilidade da pele ao redor, pois em algumas pessoas um ramo de um nervo sensitivo passa nessa região. Este tipo de situação raramente traz algum desconforto ou transtorno.

Em relação as técnicas de recontrução do LCA, existem basicamente três possibilidades.

1- A reconstrução anatômica, na qual o novo ligamento é reconstruído na posição anatômica, ou seja, onde ficava o ligamento original.

2- A reconstrução transtibial isométrica, na qual o novo ligamento é posicionado fora da posição original, porém numa posição onde não haja diferenças de comprimento do enxerto durante todo o arco de movimento do joelho. A reconstrução transtibial isométrica foi muito utilizada durante os anos 1990 até meados da década passada e vem perdendo gradualmente espaço para a reconstrução anatômica devido as vantagens biomecânicas e possivelmente melhor proteção a longo prazo da articulação, muito embora ainda sejam necessárias evidências científicas de longo prazo.

3- A reconstrução combinada intra + extra articular: mais recentemente vários estudos vêm demonstrando bons resultados na reconstrução do LCA associada a reconstrução de um ligamento extra articular, chamado de ligamento anterolateral (LAL). Dentre as publicações mais recentes destaca-se a publicada pelo Dr. Júlio Torres juntamente com colegas do Hospital das Clínicas da USP (veja na seção artigos publicados). Sua indicação principal são os casos de reruptura do LCA (cirurgia de revisão do LCA) ou lesões esportivas específicas.

 

Reabilitação pós operatória:

 

Quando o tratamento cirúrgico é indicado, o paciente precisa ser esclarecido que haverá necessidade de tratamento fisioterápico logo após e que este deverá ser realizado por meses (dependendo do protocolo adotado) até o retorno do paciente ao esporte ou às suas atividades, ou até mesmo depois disso.

 

Retorno ao esporte:

 

O retorno ao esporte dependerá de vários fatores como:

1 Força e controle muscular

2 Amplitude de movimento do joelho

3 Capacidade de realizar gestual próprio do esporte a ser praticado

4 Cicatrização do novo ligamento

Todos os parâmetros, com exceção do último, podem ser objetivamente mensurados ou controlados. Estes parâmetros são conquistados, se o paciente realizar corretamente a reabilitação pós operatória, em torno dos 6 meses pós cirurgia.  É por isso, que a maioria dos protocolos de reabilitação permitem o retorno ao esporte em 6 meses. Porém a cicatrização completa do novo ligamento ocorre depois deste prazo e o paciente deve ter consciência desse fato, já que o retorno precoce pode colocar a cirurgia em risco.

Assista os vídeos abaixo: